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domingo, 9 de junho de 2019

Brasil: Lei da Ficha Limpa completa nove anos de vigência


Leia notícia publicada no site do TSE em 04.06.2019:

Resultado de iniciativa popular, a norma contou com apoio de 1,3 milhão de signatários para sua aprovação no Congresso Nacional

A Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010), que tornou os critérios de inelegibilidade para os candidatos mais rígidos, completa nove anos de vigência nesta terça-feira (4). De lá para cá, com base nessa norma, a Justiça Eleitoral impediu a candidatura de políticos que tiveram o mandato cassado, daqueles que foram condenados em processos criminais por um órgão colegiado e dos que renunciaram aos seus mandatos para evitar um possível processo de cassação.
Considerada um marco no Direito Eleitoral, a norma nasceu a partir de um movimento popular que pretendia barrar o acesso a cargos eletivos de candidatos com a “ficha suja”, promovendo o incentivo à candidatura de pessoas com o passado correto. Assim, em 2010, cerca de 1,3 milhão de assinaturas foram reunidas em apoio ao projeto de Lei da Ficha Limpa, que alterava a Lei de Inelegibilidades (Lei Complementar (LC) n° 64/1990).
Com a sanção da regra, foram acrescidas à LC nº 64/90 mais de 14 hipóteses de inelegibilidade voltadas à proteção da probidade e da moralidade administrativa no exercício do mandato. Além disso, a punição ao candidato passou de, no mínimo, três para exatos oito anos de afastamento das urnas.
A Lei da Ficha Limpa, no entanto, somente começou a valer em 2012. Isso porque, na época de sua aprovação, houve grande controvérsia quanto à sua aplicabilidade devido ao artigo 16 da Constituição Federal, que trata do princípio da anterioridade eleitoral. O dispositivo prevê que normas que modificam o processo eleitoral só podem ser aplicadas um ano após a sua entrada em vigor.
Em fevereiro daquele ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e afirmou que os efeitos da norma já poderiam valer para as próximas eleições municipais. Diante dessa compreensão, a Justiça Eleitoral começou a julgar milhares de processos envolvendo casos de candidatos considerados inelegíveis baseada nessa lei.
Dois anos depois, em 2014, a regra foi aplicada pela primeira vez em um pleito geral. Naquele ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou, com base na Lei, o então candidato à reeleição ao governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Ele foi declarado inelegível pelo TSE, após ter sido condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) por improbidade administrativa, dano ao patrimônio público e enriquecimento ilícito.
Moralidade pública

Desde então, a Lei tem sido aplicada a políticos considerados “ficha-suja”. De acordo com o secretário Judiciário do TSE, Fernando Alencastro, a Lei funciona como um “filtro de quem pode vir a ser candidato e traz aspectos de moralidade pública”. Em sua avaliação, todos ganharam com a Lei. De um lado, o eleitor, que consegue fazer uma escolha mais depurada; de outro, a própria Justiça Eleitoral, que, a partir da norma, tem mais elementos para avaliar se o candidato é apto ou não para concorrer.
Alencastro lembra que a Justiça Eleitoral teve um papel importante na construção da aplicação da Lei, ao criar um critério do marco inicial e final dos oito anos de inelegibilidade ao candidato. “Isso foi objeto de um grande debate jurídico. Num primeiro momento, o Tribunal entendeu que seria o ano cheio, mas depois chegou ao critério de que o prazo de oito anos começaria a contar a partir da data da eleição”, explicou.
RC/LC, DM

domingo, 1 de maio de 2016

EUA : Democracia direta em discussão na Califórnia

No dia 12 de maio próximo, uma rádio pública da Califórnia promoverá um importante debate sobre a democracia direta no Estado.
Neste ano, estima-se que no momento da eleição, em novembro, haverá um número recorde de iniciativas populares sendo votadas na Califórnia – mais de uma centena já foram apresentadas à Secretaria de Estado.
Em vigor desde 1911, o processo californiano de iniciativa popular permite aos cidadãos submeter seus próprios projetos de lei à consulta popular.  
O formato da democracia direta na Califórnia reúne a um só tempo iniciativa popular e plebiscito: os projetos que recebem um certo número de assinaturas são incluídos na cédula de votação para aprovação popular. Cada projeto de lei de iniciativa popular deve tratar de um único assunto; mas não há matérias vedadas.
O debate vai abordar a questão de saber se o eleitor médio está tão bem preparado para avaliar projetos de lei complexos quanto legisladores eleitos, que contam com assessoria em tempo integral.
Além disso, estará em discussão a questão de saber se, considerando que a razão de ser do sistema é a plenitude da democracia direta, a aprovação direta de projetos de lei de iniciativa popular na Califórnia não acabaria na verdade por permitir que o poder econômico exerça influência dominante nesse processo.
Os especialistas que participarão do debate serão perguntados sobre se o processo californiano de iniciativa popular não é controlado mais por grandes empresas, sindicatos e indivíduos abastados do que por eleitores comuns.

Nesse caso, os debatedores farão propostas para a reforma do sistema, com ênfase nas regras aplicáveis ao financiamento das campanhas para aprovação das iniciativas.